sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Lula é o cara, Obama é o império



O império de Obama
Lucas de Mendonça Morais
Jornalista-estagiário do Conselho Regional de Psicologia - Minas Gerais
http://lucasmorais.blogspot.com

Após o terremoto, 20 mil soldados das forças armadas estadunidenses foram alocados para o controle militar do Haiti, que possui uma população de 9 milhões de habitantes. Estes se unirão aos 7 mil (e já há previsões para mais alguns milhares) de soldados brasileiros. 70 mil soldados das forças armadas estadunidenses se encontram neste momento no Afeganistão. 120 mil militares permanecem ainda no Iraque. Há militares norte-americanos presentes também no Uruguai, no Chile, na Argentina e no Paraguai. A Quarta Frota dos EUA da Marinha norte-americana foi reativada no mar do caribe e conta com aviões, navios e submarinos contra os povos da América Central e do Sul. O golpe militar orquestrado pelas forças imperialistas estadunidenses em Honduras garantiu a permanência das elites corruptas, entreguistas e anti-povo neste país. Na Colômbia, os EUA lograram conquistar 7 bases militares para combater abertamente as forças populares organizadas deste país, são 7 punhais no coração da América Latina, como bem colocou o camarada Fidel Castro. Em El Salvador e Honduras, mais bases. No Peru também. No Suriname e Guiana Francesa, também. No coração do povo revolucionário de Cuba, Guantánamo, a base militar dos EUA que promoveram uma série de torturas e violências inimagináveis durante o Governo Bush, após a promessa não cumprida de Obama prevista para desligá-la até o fim de 2010, o delírio imperialista segue pleno. Some-se a isto, o Governo Obama quebrou o recorde até então estabelecido por Bush Jr, em que prevê $708 bilhões de dólares para as forças armadas norte-americanas.
O eixo da guerra imperialista estadunidense sob a administração Obama, apesar de não aparecer com tanta clareza, é óbvio: petróleo, controle de riquezas minerais, gasosas e privatização da água. Neste contexto, o controle sob países como Venezuela e Equador (responsáveis por 15% do abastecimento de petróleo estadunidense, a mesma porcentagem com a qual o Oriente médio abastece este país), Irã, Brasil, Honduras e Haiti, fica evidente. A Venezuela sabe muito bem da sua importância como potência petrolífera, bem como do Irã. O Brasil recentemente descobriu gigantescas reservas de petróleo na camada pré-sal, na costa sudeste. E relatórios governamentais recentes revelaram a existência de petróleo no Haiti e Honduras, eis a razão fundamental de tais golpes.
Os EUA, além de um grande contingente de exército, dispõem também de tecnologias capazes de realizar destruições em massa de várias formas. Bombas de hidrogênio, bombas nucleares e, hoje, dispõem de uma arma capaz de manipular o meio-ambiente em favor da destruição militar, a tecnologia HAARP (ver mais em: http://en.wikipedia.org/wiki/Haarp). O Governo Russo, através de sua Marinha, apresentou um relatório de atividades no mar do Caribe e evidenciou que no dia do terremoto no Haiti a marinha norte-americana estava realizando uma bateria de testes submarinos. Coincidência? Hoje os EUA podem facilmente provocar um terremoto ou catástrofes como furacões no coração do Irã, destruir toda sua infra-estrutura, o que facilitaria o controle militar deste país. Esta hipótese não está, de forma alguma, descartada. A tecnologia HAARP permite, inclusive, alterar o comportamento humano com ondas eletromagnéticas que alteram o humor. Isto é apenas o pouco que sabemos.
O grau de desenvolvimento da luta de classes na América Latina está hoje em um nível nunca visto antes. Governos eleitos democraticamente pelas massas, de caráter de esquerda, podem dar este sinal. Entretanto, a resistência ultrapassa e muito as aparências destes governos centro-esquerdistas e conciliatórios. Em Honduras, a Frente Nacional de Resistência une toda a esquerda hondurenha na luta por um governo de democracia revolucionária popular, a partir do estabelecimento de uma constituinte revolucionária. No Haiti, primeira e única colônia escrava a se libertar do colonialismo, o povo começa a se organizar contra a permanência das tropas imperialistas e sub-imperialistas (Brasil). Na Venezuela, vanguarda da revolução latino-americana, o povo se organiza e resiste junto a seu comandante aos ataques das elites articuladas com o imperialismo. Na Bolívia, uma revolução que ainda não ecoa nos grandes meios de comunicação como um processo emancipatório de fundamental importância, mas que coloca a questão do socialismo cada dia mais como uma questão de sobrevivência. E Cuba, neste cenário, resiste como o bastião da emancipação social, mesmo com o bloqueio da economia por parte do imperialismo e dos constantes ataques que sofrem.
Neste contexto, Obama atua como o principal agente do imperialismo estadunidense. Muda-se a face (ou máscara?) – altera-se a face horripilante de Bush por um sorriso digno de propagandas de pastas de dentes estadunidenses – e a estrutura de guerra e ataque à soberania dos povos do mundo se mantém. Todas as promessas (lembra-se? “Yes we can!”) caem por terra. Com sorrisos democráticos e progressistas, o que de fato está ocorrendo é uma ameaça substancial que se evidencia na militarização das relações EUA-América Latina. E o eixo desta relação é a tentativa de derrotar todos os avanços obtidos com a revolução bolivariana que unifica cada vez mais as lutas continentais. As escolhas estão postas sobre a mesa: ou as lutas de resistência se intensificam, ou se intensificarão os ataques imperialistas. A luta de classes não conhece meio termo, empate, contradições não resolvidas. Somente a luta e a resistência dos trabalhadores latino-americanos poderão garantir um futuro emancipado não só para este continente, mas para toda a humanidade.
Lutemos, ousemos lutar!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O HAITI COLOCA A PROVA O ESPÍRITO DE COOPERAÇÃO

As notícias que chegam do Haiti configuram o grande caos que era de esperar na situação excepcional criada pela catástrofe.

Surpresa, espanto, comoção nos primeiros instantes, vontades de prestar ajuda imediata nos cantos mais afastados da Terra. O quê enviar e como fazê-lo para um canto do Caribe, desde a China, a Índia, o Vietnã e de outros pontos localizados a dezenas de milhares de quilômetros?

A magnitude do terremoto e da pobreza do país gera nos primeiros instantes idéias de necessidades imaginárias, que dão origem a todo o tipo de promessas possíveis que depois se tenta fazer chegar por qualquer via.

Os cubanos compreendemos que o mais importante nesse instante era salvar vidas, para o qual estávamos treinados não apenas perante catástrofes como essa, mas também contra outras catástrofes naturais relacionadas com a saúde.

Ali estavam centenas de médicos cubanos e, adicionalmente, um bom número de jovens haitianos de origem humilde, convertidos em profissionais da saúde bem treinados, uma tarefa na qual temos cooperado durante muitos anos com esse irmão e vizinho país. Uma parte dos nossos compatriotas estava de férias e outros de origem haitiana treinavam-se ou estudavam em Cuba.

O terremoto ultrapassou qualquer cálculo; as casas humildes de adobe e barro ­­-de uma cidade com quase dois milhões de habitantes­- não podiam resistir. Instalações governamentais sólidas ruíram; quarteirões completos de casas se desmoronaram sobre os moradores, que nessa hora, ao começar a noite, estavam em seus lares e ficaram sepultados debaixo das ruínas, vivos ou mortos. As ruas estavam repletas de pessoas feridas que clamavam por auxílio. A MINUSTAH, força das Nações Unidas, o Governo e a Polícia ficaram sem chefia e sem posto de comando. Nos primeiros instantes a tarefa dessas instituições, com milhares de pessoas, foi saber quem restavam com vida e onde.

A decisão imediata dos nossos abnegados médicos que trabalhavam no Haiti, bem como dos jovens especialistas da saúde formados em Cuba, foi se comunicar entre si, conhecer de sua sorte e saber com que se contava para assistir o povo haitiano naquela tragédia.

Os que estavam de férias em Cuba aprontaram-se logo para partir, assim como os médicos haitianos que se especializavam em nossa Pátria. Outros peritos cubanos em cirurgia que já cumpriram missões difíceis se ofereceram para partir com eles. Basta dizer que antes de 24 horas já nossos médicos tinham atendido centenas de pacientes. Hoje 16 de janeiro, apenas três dias e meio depois da tragédia,
elevava-se a vários milhares o número de pessoas afetadas que tinham sido já auxiliadas por eles.

Em horas do meio-dia de hoje sábado, a chefia de nossa brigada informou entre outros dados os seguintes:
“… realmente resulta louvável aquilo que estão fazendo os companheiros. É uma opinião unânime que, comparativamente, o Paquistão ficou bem por trás ?ali houve outro grande terremoto onde alguns trabalharam?; naquele país muitas das vezes recebiam fraturas inclusive mal consolidadas, alguns esmagamentos, mas aqui tem ultrapassado tudo o imaginável: amputações abundantes, as operações praticamente é preciso fazê-las em público; é a imagem que tinham imaginado de uma guerra.”
“… o hospital Delmas 33 já está funcionando; tem três salões para cirurgias, com geradores elétricos, áreas de consulta etc., porém ficou absolutamente lotado.”
“… Incorporaram-se 12 médicos chilenos, um deles anestesiologista; também oito médicos venezuelanos; nove freiras espanholas; espera-se a incorporação, de um momento para outro, de 18 espanhóis aos quais a ONU e Saúde Pública haitiana lhes tinham entregado o hospital, mas faltavam-lhes recursos de urgência que não tinham podido chegar, portanto decidiram se juntar a nós e começar a trabalhar de imediato.”
“… foram enviados 32 médicos residentes haitianos, seis deles iam partir diretamente para Carrefour, um sítio totalmente devastado. Também viajaram os três times cirúrgicos cubanos que chegaram ontem.”
“… estamos operando as seguintes instalações médicas em Porto Príncipe:
Hospital La Renaissance.
Hospital do Seguro Social.
Hospital da Paz.”
“… já funcionam quatro CDI (Centros de Diagnóstico Integral).”
Nesta informação se transmite apenas uma idéia do que está fazendo no Haiti o pessoal médico cubano e de outros países que trabalham junto com eles, entre os primeiros que chegaram a essa nação. Nosso pessoal está em disposição de cooperar e juntar suas forças com todos os especialistas da saúde que tenham sido enviados para salvar vidas nesse povo irmão. Haiti poderia se tornar um exemplo daquilo que a humanidade pode fazer por si própria. A possibilidade e os meios existem, mas falta a vontade.

Quanto mais tempo se dilatar o enterro ou a incineração dos falecidos, a distribuição de alimentos e outros produtos vitais, os riscos de epidemias e violências sociais se elevarão.
No Haiti se colocará a prova quanto pode durar o espírito de cooperação, antes que prevaleçam o egoísmo, o chauvinismo, os interesses mesquinhos e o desprezo por outras nações.

Uma mudança climática ameaça toda a humanidade. O terremoto de Porto Príncipe, apenas três semanas depois, está nos lembrando a todos quão egoístas e auto-suficientes nos comportamos em Copenhague.

Os países observam de perto todo o que acontece no Haiti. A opinião mundial e os povos serão cada vez mais severos e implacáveis em suas críticas.

Fidel Castro Ruz
16 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Requisitos para bolsas de estudos em Cuba


1- Ter no máximo 25 anos, comprovados, com fotocópia de certidão de nascimento autenticada.

2- Ter concluído o segundo grau, apresentando o histórico escolar.
3- Não ter impedimentos físicos e mentais que impeçam de exercer as atividades inerentes a sua formação
e posteriormente sua profissão. Apresentar para tanto exames de HIV e gravidez, em caso de mulheres, e atestado médico.

4- Apresentar certidão negativa, devidamente legalizada.

5- Apresentar fotocópia da carteira de identidade.

6- Apresentar passaporte atualizado.

7- 6 fotos (02 de 4×4 y 04 de 2×2).



Todos os documentos devem estar reunidos antecipadamente para serem enviados oportunamente a Embaixada de Cuba,
na data indicada.




Requisitos exigidos pela Associação Cultural José Martí-MG:


1- Os interessados devem solicitar (por e-mail) e preencher uma ficha de inscrição, junto à secretaria da ACJM.

2- Devem se apresentar no dia e hora marcados, para a realização da seleção, com antecedência de 15 minutos, não
sendo admitidos atrasos.

3- A seleção será realizada da seguinte forma:

§Teste psicopedagógico (exames psicológicos, com um psicólogo definido previamente).

§Uma prova escrita de conhecimentos gerais.

§Uma entrevista com membros da diretoria da ACJM.


4-Bibliografia indicada para prova escrita de conhecimentos gerais ( temos os livros na biblioteca da ACJM-MG)


1- Da Guerrilha ao Socialismo. A revolução cubana. Florestan Fernandes. Editora Expressão Popular

2- Martí e as duas América. Pedro Pablo Rodrigues. Editora Expressão Popular

3- América para a humanidade. O americanismo de José Martí. Eugênio Rezende de Carvalho. Editora UFG.

4- 300 perguntas e Respostas sobre Cuba: site http://www.embaixadacuba.org.br/

5- sites para consulta:



http://www.grama.cu/

http://www.cubasocialista.cu/

http://www.cubadebate.cu/

http://www.darvida.sld.cu/

http://www.vermelho.org.br/

http://www.unb.br/ceam/nescuba/

http://soycubasoyminasgerais.blog.com (blog da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais- ACJM-MG




O(s) candidato(s) selecionado(s) deve(m) ainda passar por um processo de entrevistas e aplicação de provas
psicopedagógicas com pessoas especializadas enviadas por Cuba, no lugar e data informados posteriormente.


A ACJM-MG informa ainda que somente indica quem está apto a concorrer à bolsa de estudos, cabendo única
e exclusivamente aos especialistas enviados por Cuba, a decisão de quem deverá recebê-la.



Boa sorte a todos.


Associação Cultural José Martí.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Evento comemorativo 50 anos da Prensa Latina e lançamento do Livro "América que não está na mídia"



A América que não está na mídia
O livro A América que não está na mídia, de autoria do jornalista Mário Augusto Jakobskind, Conselheiro da ABI e secretário-geral do SPJERJ (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro), tem prefácio do jornalista Flavio Tavares e apresentação do coordenador do MST, João Pedro Stédile, além de comentário de Eduardo Galeano.


Será lançado no próximo dia 8 de outubro, em Belo Horizonte, na Casa do Jornalista, às 19 horas, à Avenida Álvares Cabral, 400, e dia 13 de outubro, às 20h30m no restaurante Lamas, RJ,
No próximo 8 de outubro, data histórica para o movimento de solidariedade a Cuba, a Associação Cultural Jose Marti de Minas Gerais, em parceria com o Sindicato dos jornalistas profissionais de Minas Gerais- SJPMG, realiza evento para comemorar os 50 anos da Prensa Latina e da revolução cubana, oportunidade em que estaremos debatendo, na sede do sindicato , a partir das 19hs, o que mudou na cobertura jornalística sobre América Latina, com as presenças do jornalista Mário Augusto Jakobskind, autor do livro "América que não está na Mídia", a ser lançado na ocasião, dos profissionais Luiz Carlos Bernardes ( o Peninha), Dídimo Paiva (ex-editor de Internacional do jornal Estado de Minas) e José Maria Rabelo (de O Binômio) .

Fundada pelo jornalista argentino , Jorge Ricardo Masetti, a Prensa Latina surgiu quando o comandante argentino-cubano Ernesto Che Guevara deixou em suas mãos a estruturação desta agência de notícias, à qual se incorporaram profissionais como o uruguaio Carlos María Gutiérrez, o colombiano Gabriel García Márquez e o argentino Rodolfo Walsh, entre outros.



A América que não está na mídia
A América que não está na mídia, editado pela Editora Altadena, aborda questões relativas a vários países da América Latina, geralmente não divulgadas pela mídia convencional, e discute a cobertura jornalística de um continente que está em processo de transformação. A orelha é do saudoso jornalista Fausto Wolff e a capa é do cartunista Carlos Latuff..
A América que não está na mídia pode ser adquirido também pelo endereço eletrônico altadena@altadena.com.br.

Jakobskind, além de integrante do Conselho Editorial do jornal Brasil de Fato é correspondente do jornal uruguaio Brecha e nos últimos 25 anos tem se dedicado ao estudo da América Latina, tendo já publicado livros que versam sobre o continente, entre os quais, América Latina – Histórias de Dominação e Libertação.
O evento tem ainda os apoios do Senge- MG e Ongtrem

Mais informações : 31 85863100 e 32245011

sábado, 22 de agosto de 2009

História ambiental de Cuba é tema de lançamento nesta quinta 27 de Agosto






A Associação Cultural José Marti de Minas Gerais - ACJMMG, o Sindicato da Indústria do Açucar e do Álcool de Minas Gerais- SIAMIG convidam para o lançamento, na próxima quinta-feira, 27 de agosto, a partir das 19h30m, na Casa do Jornalista, do livro " Dos bosques aos canaviais : uma história ambiental de Cuba 1492-1926", do profº. Dr. Reinaldo Funes Monzote, da Universidade de Havana. Prefaciado pelo coordenador geral da Fundación Antonio Núñez Jiménez de la Naturaleza y el Hombre, Armando Soriano, o livro nos convida à reflexão em torno na irracionalidade ambiental da racionalidade econômica. O leitor mineiro terá a oportunidade de acompanhar um debate atualíssimo em Cuba, e que serve de parâmetro para nós brasileiros.

"Quanto mais se avança rumo à construção da história ambiental cubana e caribenha, mais visíveis são as vozes que denunciaram um modo de exploração da natureza com profundas implicações a longo prazo nas ordens social e ambiental. Junto aos heróis nacionais tradicionais, políticos,militares, e paladinos do progresso e do crescimento açucareiro, deveriam constar sempre aqueles que se dedicaram ao trabalho anônimo e paciente de conhecer melhor a terra e lutar por um modo mais sustentável de proceder com ela. Muitos dos autores citados, com independência de tendências políticas ou nacionalidades, merecem um lugar especial. É o caso de JOSE MARTI, quem, atento a realidades de outros contextos, expressou preocupações similares.

Em todos eles se repetia a idéia de que a posteridade teria direito de exigir a prestação de contas pelo dano infrigido por quem destruiu os bosques sem contemplação. É impossível faze-lo com os responsáveis diretos, que há muito deixaram de existir, mas se olharmos ao nosso redor e perguntarmos até que ponto Cuba, o mundo de hoje e de amanhã são ou poderão ser indiferentes a uma relação sociedade natureza como a do açucar e dos bosques cubanos entre 1815 e 1926 : fulgurante mas insustentável !!!!

A constatação acima é do profº Drº Reinaldo Funes Manzote, da Universidade de Havana, que, a convite do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG, veio a BH proferir palestra sobre a história ambiental de Cuba e lançar seu mais recente livro : "Dos bosques aos canaviais : uma história ambiental de Cuba 1492-1926" sob o auspício da Fundação Antonio Nuñez Jiménez de la Naturaleza e el Hombre.
O professor pontua que em meados do século 19, o naturalista, Ramón de la Sagra, perguntava se a destruição dos bosques de Cuba seria inofensiva para a conservação das admiráveis condições de fertilidade da Ilha, caracterizada por uma frondosa vegetação perene e arbórea. Já à época, se apontava para uma exploração agrícola sustentável que se baseava na conservação da devida proporção entre a vegetação arbórea e herbácea, de modo que não se alterassem nocivamente as condições de salubridade, fertilidade e fecundidade do clima e terrenos da Ilha caribenha.

O trabalho de Monzote explora a contradição entre os ciclos da natureza e a atividade econômica da Cuba colonial, quando os interesses da metropóle e da nascente burguesia criolla determinaram um ritmo de deterioração dos recursos naturais, pela permanente ocupação de fronteiras agrícolas e demográficas, com a expansão açucareira em detrimento dos bosques originários, e que representou um exemplo da irracionalidade ambiental, com a perda de boa parte da diversidade biológica cubana em menos de dois séculos.

A análise histórica ambiental de Cuba transcende as categorias de análise modo de produção e relações de produção para resgatar, no legado marxista, o estranhamento produzido nos seres humanos, de que falava o jovem Marx nos Manuscritos de Paris, o qual acontece em um determinado regime social de produção quando existe a modificação radical do habitát e, por conseguinte, da relação entre os seres humanos e seu entorno.

A importância deste resgate está no fato de que pouco se discutiu sobre o implícito no crescimento moderno (agrário ou industrial) que é o consumo continuado e de grande escala dos recursos naturais frente ao aproveitamento limitado e autoregulado existente nas sociedades pré-capitalistas ou na agricultura sustentata em energia orgânica. Mesmo constituindo uma questão considerada da atualidade, ou seja, conciliar crescimento econômico, luta contra a pobreza e protação de ecosistemas, tal problemática há muito vem sendo debatida, e é este um dos méritos do trabalho de Monzote.

Tanto a preocupação conservacionista como o debate entre o público e privado são identificados pelo autor no período por ele pesquisado, quando advertências, da
parte da Marinha Espanhola, vislumbraram na exploração florestal pelos engenhos açucareiros um problema estratégico de defesa nacional . O conflito entre as atividades de criação de gado, indústria naval e açucareira resultaram em um debate sobre o melhor modo de exploração dos recursos florestais, não se restringindo à obtenção de benefícios econômicos, mas também sobre a melhor maneira de conservá-los. Instituiu-se um debate sobre as necessidades públicas de garantia de abastecimento de madeira e combustível para a defesa militar e os interesses dos donos de engenho e fazendeiros, que sustentavam a afirmação da propriedade individual e o seu direito de exploração destes recursos como a melhor garantia de uma exploração benéfica tanto do ponto de vista econômico como para a conservação das massas florestais....

Venceu o sagrado direito da propriedade e os argumentos que apontavam os prejuízos para a exploração dos recursos advindos de qualquer intervenção ou limitação sobre a propriedade individual! " ( Míriam Gontijo, jornalista, cientista da informação e diretora geral da Associação Cultural José Marti de MG) .

O lançamento acontece na Av. Álvares Cabral 400 (Casa do Jornalista) entre ruas Espírito Santo e Bahia e conta com os apoios do SJPMG e SIAMIG.







terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fidel completa 83 anos e nos presenteia com "Pensamento de Fidel em dicionário"



Lançamento antecede as comemorações do 83º aniversário de Fidel, e é uma ferramenta de grande valor para o debate ideológico no mundo contemporâneo.

Em BH, a Associação Cultural José Marti de Minas Gerais convida os amigos de Cuba para um bate papo descontraído em comemoração ao "cumpleaños" do nosso comandante.

Dia 13 de Agosto- 20 horas
Av. Álvares Cabral 400 - Centro
Casa do Jornalista



O rico pensamento do líder histórico da Revolução Fidel Castro, foi resumido em um dicionário, cuja apresentação e lançamento marcados para o último final de semana no tradicional Sábado do Livro do Instituto Cubano desse ramo (ICL).


A seleção das idéias de Fidel "permitirá aos leitores contar com uma ferramenta de grande valor para o debate ideológico no mundo contemporâneo e as tarefas da construção do socialismo em nosso país", destaca Granma, em sua edição desta terça.


O prólogo de "Pensamentos de Fidel em um dicionário" diz que "se trata de uma seleção do ideário de Fidel a partir daquelas proposições que encerram a dimensão política e filosófica mais essencial e educativa".

Desde 2007 o líder da Revolução vem publicando amplos artigos, titulados, no começo Reflexões do Comandante-em-Chefe e a partir de fevereiro de 2008 Reflexões do companheiro Fidel, em que analisa temas de interesse nacional e internacional.
Entre eles, a política contra-revolucionária dos E.U. contra Cuba, a crise econômica mundial, o meio-ambiente e temas históricos, pouco conhecidos, em muitos dos quais foi protagonista e testemunha excepcional.

O evento aconteceu cinco dias antes do 83º aniversário de Fidel, que como já vem sendo costume será celebrado por instituições e o povo.

Agência Cubana de Notícias

quarta-feira, 22 de julho de 2009

DIA DA REBELDIA CUBANA COM MUITA Salud!


As comemorações do 26 de julho em BH, Dia Nacional da Rebeldia Cubana, uma parceria da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais e GREscola de Samba Cidade Jardim

Domingo, 26 de Julho - 18h30m
Dia Nacional da Rebeldia
Escola de Samba Cidade Jardim
Rua dos Gentios 147, em frente ao Hospital Luxemburgo


A exibição do documentário “¡Salud!”, um retrato do sistema público de saúde cubano, considerado um dos mais eficazes do mundo, é tema das comemorações dos 26 de julho em BH, Dia Nacional da Rebeldia Cubana, para lembrar a data em que houve a tentativa de tomada do Quartel de La Moncada, em Santiago de Cuba, antes do triunfo da revolução cubana, em 1º de Janeiro de 1959.

No ano em que se comemoram os 50 anos da famosa Revolução Cubana, nada melhor do que assistir a um debate atualíssimo sobre o sistema de saúde cubano, em um momento em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou para a mídia mundial, que a reforma do sistema público de saúde nos Estados Unidos é "central" para a recuperação econômica do país.

O documentário foi exibido pela primeira vez no Brasil, mês passado, na capital do Rio de Janeiro, a convite do projeto Cine ABI, juntamente com a ONG norte-americana Medical Education Cooperation with Cuba (Medicc) e a Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (Ancreb).
Presente à sessão, Gail Reed, co-produtora de “¡Salud!” e Diretora internacional da ONG Medicc, contou que o filme surgiu a partir da experiência de 25 anos trabalhando como jornalista em Cuba.

Gail diz que não é uma especialista no assunto, mas que conhece a realidade da saúde pública cubana como jornalista e paciente. Segundo ela, a principal lição dada pelo Governo de Fidel Castro é a vontade política de assegurar um serviço de qualidade aos cubanos: — Em Cuba, percebi que os profissionais são grandes lutadores pela saúde, e não apenas trabalhadores.
Mesmo sendo um País pobre, por meio do empenho político consegue obter grande êxito na área do setor, se destacando mundialmente. Traçando um paralelo com a realidade nos Estados Unidos, Gail Reed afirma que, diferentemente dos cidadãos norte-americanos, o povo de Cuba tem o serviço de saúde realmente como um direito: — Já nos EUA, que é um dos Países mais ricos do mundo, isso não acontece. Lá, há 50 milhões de pessoas sem acesso ao sistema público de saúde, evidenciando que o problema não é a falta de dinheiro, mas sim disposição política. o médico cubano radicado no Brasil Juan Carlos Haxach destacou o “Médico de família”, como importante iniciativa que coloca Cuba em um patamar de excelência mundial. Ele é assessor e coordenador de projetos da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), criada em 1987 pelo sociólogo brasileiro Hebert de Souza: — Esse serviço é voltado principalmente para populações de baixa renda, que são muito vulneráveis a diversas doenças. O médico se instala nessas comunidades para conhecer de perto seus integrantes e as mazelas a que estão submetidos, focando suas ações na prevenção.
A atuação preventiva, segundo o Dr. Juan Carlos contribui para que Cuba tenha um sistema de saúde eficaz gastando pouco dinheiro. Como exemplo, o médico cita a dengue, que já foi epidêmica em alguns Estados do Brasil: — Essa enfermidade é presente em Cuba, mas é completamente controlada por meio das ações de prevenção, que reduzem os gastos com medicamentos e tratamento de pessoas infectadas. O mesmo acontece com o sarampo e o paludismo, entre outras doenças.

O documentário fala do conflito de valores que diferenciam a saúde em Cuba e em outros países onde a medicina é ditada pelo mercado. Cenas filmadas na África do Sul, Gâmbia, Honduras,Venezuela revelação a dimensão humanista do conceito de medicina praticado em Cuba.Ganhador de vários prêmios internacionais de documentários, a oportunidade de assistir é neste domingo, 26 de julho, as 20 horas, no Grêmio Recreativo Escola de Samba Cidade Jardim, em uma parceria da entidade e da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais.