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quarta-feira, 27 de julho de 2011

D. Helena Greco presente!


D. Helena Greco, com 95 anos, faleceu hoje,27 de julho. Foi a primeira presidenta e fundadadora da Associação Cultural José Marti de Minas Gerais, que completa em 2011, 25 anos de luta e apoio a Cuba.
Seu velorio vai ser à noite no Cemiterio da Colina e o sepultamento será amanha, dia 28 às 11 horas também no Cemiterio da Colina.




Um pouco da combatividade de D. Helena.
Nos anos 70, um grupo de 7 jovens mulheres buscavam organizar em BH o Movimento Feminino Pela Anistia. E, fomos à manifestaçao em protesto contra a prisão dos Estudantes na Faculdade de Medicina da UFMG. No meio desta manifestação sobe no palanque uma senhora (na epoca a achavamos bem velhinha, como imagino que os jovens nos devem ver hoje) que falou da responsabilidade de sua geraçao com aquela repressao. Corremos atrás dela e a convidamos para participar conosco do movimento que estávamos organizando. E, a partir deste instante passou a ser o coraçao e a cara do movimento. Enfrentava a repressao com a indignaçao que havia mostrado no seu discurso.
Sua trajetoria depois, todos conhecem.
Assim, desde 1977 atua na luta pelos direitos humanos, combatendo incansavelmente todas as formas de opressão, do racismo a qualquer tipo de discriminação. O Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania retrata bem sua luta, quando coloca como seu objetivo: “o resgate dos direitos humanos e Cidadania no registro da combatividade e radicalidade peculiares à trajetoria de nossa referencia politica. Para nos D. Helena é a propria personificaçao da dignidade da politica – luminoso exemplo de vida e exemplo de luta obrigatorio nacional e internacionalmente.”
D. HELENA GRECO, PRESENTE!
Fonte: FSMMG

terça-feira, 26 de julho de 2011

Filme resgata crianças cubanas levadas pela Operação Peter Pan






Crianças cubanas levadas aos EUA no começo dos anos 1960 para fugir da radicalizaçâo revolucionária é ação conhecida como Operação Peter Pan.

21/07/2011 Maria do Rosário Caetanode Fortaleza (CE)
Brasil de Fato
EM 1961, 14 mil crianças e adolescentes cubanos foram levados aos EUA por vontade de suas famílias, apoiadas pela Igreja Católica e pela CIA, a Central de Inteligência Americana. O inusitado êxodo infanto-juvenil, episódio pouco conhecido da Guerra Fria, ganhou o nome de “Operação Peter Pan” e foi reconstruído - ao longos dos últimos 32 anos - pela cineasta estadunidense cubana Estela Bravo, no documentário Operação Peter Pan: Fechando o Círculo em Cuba.

Cópia de trabalho do filme foi exibida pela TV cubana em 1991, no momento em que Cuba e EUA disputavam “poder pátrio” sobre o menino Elián González. A comunidade de exilados cubanos queria manter a criança em Miami. O pai cubano queria repatriá-lo. Cuba venceu a “disputa”. O “exílio coletivo” dos meninos de 1961 servia para lembrar aos espectadores cubanos que, 30 anos depois, as relações entre os dois países continuavam tensas.

De passagem pelo Brasil, a cineasta Estela Bravo e seu produtor (e marido há quase 60 anos) Ernesto Bravo, em conversa com o Brasil de Fato, relembraram os 30 anos dedicados ao documentário Operação Peter Pan, e as motivações que fizeram de ambos cidadãos cubanos.



Brasil de Fato – Primeiro, gostaria de saber como uma cidadã estadunidense e um cidadão argentino tornaram-se figuras de destaque em Cuba? A senhora é documentarista reconhecida, e Ernesto médico e professor universitário festejado.

Estela Bravo – No começo dos anos de 1950, exatamente em 1953, fui a um Congresso da Juventude em Bucareste, no Leste Europeu. Tinha 20 anos, e era filha de sindicalista e órfã de mãe desde os 15 anos. Me coube falar em nome dos estudantes dos EUA. Pelos argentinos, falou Ernesto Bravo, um jovem que fora preso durante o Governo Perón. Eu não falava espanhol, mas dividi o quarto com uma moça do Ceilão (atual Sri Lanka), que conhecia o idioma de Ernesto. Ela serviu de tradutora em meus rápidos contatos com ele. Regressei aos EUA e fui trabalhar na revista América Latina Hoje. Um novo Encontro da Juventude, no Brasil, me entusiasmou, pois poderia passar por Buenos Aires e rever Ernesto. Mas em Buenos Aires meus contatos não foram suficientes para que eu chegasse até ele, que vivia meio clandestino. Fui então para São Paulo. Lá, falei de minha frustração a um amigo cubano. Ele prometeu que me ajudaria. Me levou ao Rio para que eu conhecesse o Carnaval, me apresentou a Oscar Niemeyer e a outros brasileiros que lutavam pela paz mundial. Foi naquela visita que aprendi a pronunciar a palavra “saudade”. Depois da temporada brasileira fui a Buenos Aires e aí tudo deu certo. Reencontrei Ernesto e passei uma semana com ele. Regressei aos EUA e permaneci por lá por pouco mais de um ano. Em janeiro de 1957, Ernesto e eu nos casamos em Buenos Aires. Formado em medicina, ele trabalhava incansavelmente. Eu me empreguei no Aeroporto de Ezeiza. Em 1963, Cuba convidou Ernesto para dar aulas na Faculdade de Medicina, em Havana, por um ano. A Crise de Outubro (Crise dos Mísseis) exigia que apoiássemos a Revolução Cubana, na qual acreditávamos com enorme paixão. Lá fomos os dois, com nossos filhos pequenos. E lá estamos até hoje. Três anos atrás, quando Ernesto completou 80 anos, recebeu grandes homenagens do meio médico-científico pelas contribuições dele à área de biotecnologia.



Por que foram necessários mais de 30 anos para que concluíssem “Operação Peter Pan – Fechando o Círculo em Cuba”?

Primeiro, porque necessitávamos de depoimentos das crianças, agora adultos, que saíram de Cuba em 1961/62 e que estavam espalhadas por vários estados dos EUA. Era necessário localizálas. E saber se queriam dar seus depoimentos ao filme. Neste sentido, a contribuição de Elly Chavel, que morreu em 2007, foi de enorme valia. Ela conseguiu localizar duas mil das 14 mil crianças que foram mandadas aos EUA. Seis deles, adultos já totalmente integrados ao novo país, quiseram voltar a Cuba para “fechar o círculo”. Queriam reencontrar o país que deixaram na infância. Elly, que era muito católica, mobilizou o grupo e fizeram questão de visitar Cuba de forma coletiva. Há entre os “Pedros Panes” (Peter Pans) quem nada saiba sobre a Operação. Há quem saiba e se negue a ir a Cuba, motivado pelo ódio de seus parentes. Fizemos nosso filme respeitando as posições dos que nos prestaram depoimento. O Monsenhor Bryan Walsh, que em nome da Igreja Católica, liderou a Operação ao lado da professora de inglês Penny Powers, apoiado por autoridades estadunidenses, nos deu seu testemunho. Ouvimos autoridades dos EUA, assim como ouvimos historiadores cubanos e até um funcionário do Aeroporto de Havana. Este funcionário ficou perplexo ao ver crianças chorando por serem separadas dos pais e enviadas, sem eles, para um país que desconheciam.



Embora profundamente integrados aos EUA, vê-se em alguns dos “peter pans” ouvidos pelo filme – em especial a cantora Candy Sosa – um grande apego às raízes cubanas.

O caso de Candy é muito especial. Dona de voz belíssima, ela aparecia, menina, num documentário realizado num acampamento de “pedro panes”, cantando uma canção cubana. Localizamos o material e tivemos o prazer de filmá-la, em solo cubano, cantando a mesma canção telúrica. O encontro dos “pedro panes ”com as crianças cubanas, na Havana contemporânea, deixou a todos emocionados. O filme registra alegrias e, também, o sofrimento de alguns dos meninos que foram levados para os EUA. Os pais, os religiosos e a CIA acreditavam que a Revolução Cubana fracassaria. Então as crianças regressariam a seus pais e a seu país, bem-educadas. Seriam poupadas do que acontecia naqueles tempos de muitas transformações políticas e sociais. Aquelas crianças foram vítimas involuntárias da Guerra Fria. Há, no filme, dois “pedro panes” que contam que foram molestados por padres. Um menino e uma menina. Eles lembram também que viveram momentos difíceis. Como eram muitos, foram espalhados por acampamentos e orfanatos. Duas irmãs foram retiradas de um orfanato e levadas para uma residência. Uma delas conta que preferiu regressar à instituição, pois na casa da família adotiva exerciam papel de empregada doméstica. Na primeira fase da Operação Peter Pan foram levadas aos EUA crianças filhas de famílias muito ricas. Depois, crianças de classe média. E, na fase final, crianças pobres de famílias católicas, que não queriam de jeito nenhum ver os filhos crescendo num país comunista.



Você se iniciou no cinema filmando os filhos do Casal Julius & Ethel Rosenberg, em frente à Casa Branca, pedindo clemência ao presidente Eisenhower para que os pais não fossem executados na cadeira elétrica...

O que fiz naquele momento foi documentar os filhos do Casal Rosenberg com uma câmera Super-8. Era uma amadora documentando crianças que clamavam por perdão para os pais. Duas crianças que se tornariam órfãs e, temíamos, amaldiçoadas. Mas eu nem sonhava ser cineasta. Nada sabia de cinema. Só me tornaria cineasta aos 47 anos, em Cuba. Antes de chegar ao cinema, fiz programas de rádio, entrevistei personalidades como meu amigo Peter “Pete” Seeger, o grande cantor folk, hoje com 92 anos; Angela Davis, o cantor Paul Robeson. Até que, no final dos anos 70, ao me deparar com o regresso de 125 mil cubanos que haviam partido de Cuba, vi ali o tema para um documentário. Afinal, a experiência foi traumática para os dois lados. Para os que chegavam e encontravam um país mudado, e os que viviam em Cuba e não sabiam como conviver com tantos que chegavam. Houve, também, o episódio da Invasão da Embaixada do Peru (1990) quando milhares de cubanos lá se refugiaram. Fiz, a partir deste episódio, o documentário Los Que Se Fuerón. Este filme teve problemas e não foi exibido na TV Cubana. Até que procurei Fidel e contei a ele que estava com dificuldade para exibir o filme. Isto porque autoridades ligadas à TV se incomodavam com depoimentos de dissidentes cubanos, radicados em Miami, que prometiam enforcar todos os fidelistas. Fidel me pediu uma cópia do filme para ver e brincou comigo: “você sabe que sou mais liberal do que muitos de nossos subordinados”. E liberou a exibição do filme. No documentário Los Que Se Fuerón mostramos os cubanos que partiram para o Peru (sendo abrigados nos Acampamentos Tupac Amaru), os que foram para a Nicarágua sandinista (médicos e professores, em especial), os que foram lutar em Angola .Fiz tudo com muitas imagens e poucas narração. Aliás, cada vez uso menos narração em off. Mas os ingleses continuam gostando muito de narração off. Cultivam esta voz que amarra e explica tudo. Quando co-produzem meus filmes, querem narração em off.



A senhora juntou, em 40 anos de trabalho como documentarista, rico acervo de imagens colhidas em diversos países da América Latina. No Brasil, filmou o sindicalista Lula e colheu longo depoimento de Luiz Carlos Prestes. Tem planos de realizar um filme autobiográfico, narrando as andanças do Casal Bravo pelo mundo, e mostrando o melhor destas imagens?

Antes de qualquer plano, nossa meta é salvar nosso acervo. Temos mais de mil fitas de vídeo com material de grande valor documental. Material cubano e latino- americano. Tenho imagens da atriz Libertad Lamarque conversando com a bailarina Alicia Alonso; Lula dando entrevista na casa dele, no ABC, com um poster de Lech Walesa na parede. Tenho imagens dos marielitos (cubanos que fugiram do país em balsas precárias, a partir do Porto de Mariel). Tenho o depoimento de Prestes e centenas de entrevistas com artistas, políticos e sindicalistas de vários países. Cuba não dispõe de recursos para nos ajudar. Tentamos apoio da Fundação Gugenheim, mas não conseguimos. Estamos em busca de quem possa nos ajudar. Quanto à sua pergunta, “se faria um filme sobre uma jovem estadunidense que se casou com um argentino e adotou Cuba”, ainda não pensamos nisto, mas é uma ideia. Antes, uma cineasta minha conterrânea, Susan Steinberg, nos propôs realizar um filme conosco. Mas pressentimos que ela, que hoje vive em Londres, queria fazer um filme muito, digamos, psicanalítico. Não nos entusiasmou muito. Quem sabe fazemos esta autobiografia que você nos sugere. Prometemos pensar no assunto.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia da Rebeldia Cubana : festa à vista


HOJE,26 de julho, terça-feira, é a data comemorativa da Rebeldia Cubana e dos 58 anos do Assalto ao Quartel Moncada.
Além de ser uma data importantíssima na agenda da solidariedade a Cuba, já é tradição da ACJM-MG comemorá-la !

Este ano, em que completamos 25 anos da ACJM-MG, não podemos deixar em branco e mais uma vez levar a nossa rebeldia para a rua. Participe !

Dia da Rebeldia Cubana

Show com Penaforte
DJ Biano (Cuba Contemporânea)

DJ Magelinha (Rock e Rock Latino-americano)

Rock e Revolução

a música unindo e revolucionando na construção de novas utopias
58 anos do Assalto ao Quartel Moncada

Ponto Vermelho - Rua Tupis 1448 (Stonehenge)
19:00 - Happy Hour
21:00 - Shows
Contribuição revolucionária R$10,00

segunda-feira, 4 de julho de 2011

5 de julho: vamos pedir a libertação dos 5 cubanos nos EUA


É a partir da solidariedade internacional que convocamos a tod@s a denunciar e exigir o fim da imensa injustiça sofrida pelos "Cinco" cubanos, há 12 anos injustamente presos nos EUA, por crimes que não cometeram, e que jamais foram sequer provados.

O julgamento foi marcado por inúmeras violações legais,e os Cinco foram condenados, no total, a 4 prisões perpétuas mais 77 anos.
Atualmente, estão quase esgotados, na prática, os recursos legais para apelar contra a decisão.

O processo contra os Cinco é absolutamente político e somente se ganhará
à força da denúncia e da solidariedade internacional.

Exigimos a libertação imediata dos Cinco.

Que este 5/07 e todos os dias 5 de cada mês se convertam em uma jornada de luta e clamor pela liberdade dos Cinco.

ATENÇÃO: A idéia deste ato em particular é "inundar", no dia 5/07, as redes sociais com o "repasse" de qq informação sobre os Cinco cubanos, como ato de repúdio à injusta privação de liberdade, reivindicando sua libertação imediata, fazendo-se cumprir os Direitos Humanos.

O apoio é essencial, o respaldo é essencial,
CONHECER E INFORMAR é essencial.

INFORME-SE sobre o caso (há uma síntese em português, inglês e espanhol):
http://liberdadecincocubanos.blogspot.com/
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domingo, 3 de julho de 2011

Perspectivas da integração latino-americana e do caribe na avaliação do cubano Osvaldo Martinez


Por Míriam Gontijo*

Cubano nascido em Matanzas e eleito deputado da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba, pela província de Holguín, Osvaldo Martínez esteve no Rio de Janeiro, participando do Seminário Internacional Governos de Esquerda e Progressistas na América Latina e no Caribe.
É presidente da Comissão de Assuntos Econômicos da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba, e há quem diga que Fidel Castro sempre o consultava quando queria aprofundar um tema neste campo. Sua participação foi discreta, e iniciou como um dos debatedores da Sessão “ Capitalismo contemporâneo: a crise, os novos fenômenos e suas expressões na América Latina e no Caribe”, oportunidade na qual mostrou a capacidade de análise, articulando como tema central da sua exposição a crise econômica atual e suas implicações, com destaque para o que conceituou de Terrorismo Financeiro.
Em entrevista concedida, falou da importância histórica para os cubanos da criação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que agora em julho de 2011, em Caracas, irá completar o seu processo de constituição, com a realização da III CALC, e fez um balanço dos sete anos da experiência cubana, no bojo da plataforma de cooperação internacional ALBA- Aliança Bolivariana para as Américas, que é a prova de que uma integração solidária é possível, ao citar o exemplo do projeto Petrocaribe.



América Latina e o Caribe vivenciam uma experiência em que partidos de esquerda integram atualmente boa parcela de governos nos países que compõem a região. O tema da integração continental volta à tona em um contexto de crise do sistema capitalista.


São muitas as matizes da discussão sobre integração: comunistas, socialistas, revolucionárias, anticolonialistas, nacionalistas, democráticas, progressistas, com diferentes horizontes estratégicos, mas a integração continental vem sendo construída e na avaliação do Martínez, a experiência cubana no que se refere à ALBA pode ser mensurada como positiva, no que diz respeito aos resultados alcançados dentro do modelo que define esta experiência: uma tentativa de integração que não se baseia essencialmente no incremento das relações puramente comerciais, mas traz como novidade princípios que são impensáveis dentro dos parâmetros do capitalismo: a complementaridade, a cooperação, a solidariedade e o respeito pela soberania dos países. Além de Venezuela, Cuba, Bolívia, aderiram ao bloco: Nicarágua, Dominica, Equador, Antigua e Barbuda, São Vicente e Granadinas.

Ele destacou as relações entre Cuba e Venezuela no contexto da ALBA: o intercâmbio de petróleo por atenção médica; a atuação dos médicos cubanos no programa Barrio Adentro, que representa um projeto integral de saúde, interrelacionado com a educação, o esporte, a cultura e a seguridade social.

O conceito de atendimento integral à saúde vem sendo adotado no Uruguai, que segundo apresentação do senador da Frente Ampla e ex-ministro da Agricultura, Ernesto Agazzi, chamou a atenção para o que eles denominam de “Desenvolvimento Integral”, que também se baseia no atendimento à saúde no formato da experiência Barrio Adentro.

Conforme Martinez, 55% da necessidade cubana de petróleo são atendidas pela cooperação no contexto da ALBA, e na sua avaliação, o projeto Petrocaribe é o melhor exemplo da aplicação do princípio da Solidariedade que propõe a integração bolivariana: por ele, a Venezuela entrega petróleo em condições favoráveis de financiamento aos países caribenhos. Nas condições da plataforma, uma parte da fatura se converte em crédito a pagar no prazo de 20 a 25 anos com taxa de juros de 2%. “Um exemplo único, envolvendo um produto tão caro como o petróleo”, comenta.

Indagado sobre o Banco da Alba, o Banco da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, não quis entrar em detalhes. Trata-se da entidade financeira criada para dar resposta à necessidade de ter um organismo que permita financiar e apoiar economicamente projetos que impulsionem a sustentabilidade dos países da América Latina e do Caribe, assim como motivar aos diferentes países integrantes da Alba a se envolverem em projetos de desenvolvimento integral.

Mas sobre o projeto de Telecomunicações envolvendo Cuba e Venezuela, diz que avançou satisfatoriamente, com a implantação do cabo submarino entre Venezuela e Cuba que vai proporcionar comunicação em Banda Larga e velocidade suficiente para não depender mais dos canais de comunicação controlados pelos EUA.

Justiça histórica

Mas o que mais o entusiasmo foi falar da criação da Celac- Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que agora em julho de 2011, em Caracas, terá completado o seu processo de constituição, com a realização da III CALC, também na capital venezuelana.

Fez questão de pontuar o significado histórico da iniciativa, e que pode ser considerado um dos trunfos da revolução cubana no que diz respeito à política internacional. Para Martinez, pela primeira vez na história da América Latina e Caribe se cria e solidifica um organismo de integração, entre 33 países da região, e sem a participação dos EUA e do Canadá.

Na sua avaliação, a Celac é uma evidência da posição soberana dos estados latino-americanos e caribenhos, de independência frente à hegemonia norte-americana, e que a doença de Chaves não irá postergar a evolução do processo, com o adiamento da reunião prevista para o próximo dia 05 de julho.

Bloqueio a Cuba virou um negócio

Para Martinez, o bloqueio norte-americano a Cuba virou um grande negócio para os contra-revolucionários erradicados na Flórida, pois o governo dos EUA tem destinado à subversão contra Cuba de 20 a 30 milhões de dólares por ano a grupos que se opõem à revolução cubana. Desta maneira, tem gente ganhando com esta demonstração de força do Império, que apesar da maioria dos países da Assembléia Geral das Nações Unidas, ter se declarado, desde 1991, anualmente contrária ao bloqueio, ele vem sendo mantido e nenhum presidente norte-americano teve a sensatez de mudar esta política fracassada.
Terrorismo financeiro.

Na sua exposição sobre o “Capitalismo contemporâneo: a crise, os novos fenômenos e suas expressões na América Latina e Caribe”, Osvaldo Martinez alertou a platéia para o perigo da guerra nuclear, pois segundo o parlamentar cubano “ a guerra é ainda um recurso do imperialismo para sair da crise”.

Além da ameaça nuclear, diferentemente da forma usada na segunda grande guerra, e que seriam identificadas como mini-bombas de alto poder destrutivo, porém não por uma hecatombe de proporções planetária, Martinez alertou para o perigo derivado do que ele chamou de Terrorismo Financeiro da parte dos EUA.

Com a economia mais desequilibrada do mundo, os EUA apresentam grandes déficits comerciais desde os anos 70, que na verdade são utilizados para financiar a militarização do Império, e paradoxalmente põem em perigo os seus principais parceiros comerciais: China e Rússia.

Ao se relacionarem comercialmente com os EUA, estes países obtêm superávits que proporcionam um saldo em moeda norte-americana, cujo ingresso em suas economias pode provocar pressões indesejáveis na taxa de câmbio, repercutindo na perda de competitividade de seus produtos no mercado internacional, entre outros. Na lógica perversa do capitalismo, a saída que eles encontram é comprar bônus do tesouro americano, e que acaba por financiar o déficit dos EUA, baseado principalmente por gastos com a sua militarização.

Conforme informou Martinez, China tentou comprar ativos não financeiros como cadeias de vendas de combustíveis, mas se viu obrigada a comprar ativos financeiros, porque os EUA mantêm o seu poderio militar que os possibilitam manter condições. Para a China, os EUA são hoje o principal mercado de suas exportações, e não pode violentar as regras desta relação.

Ainda na avaliação de Martinez, China, Brasil e Índia são as três economias chave para as mudanças estruturais no cenário internacional, capazes de impor uma mudança qualitativa neste sistema. Não é possível continuar como atual padrão monetário internacional que tem hoje o dólar como principal referência.

* jornalista e presidente da Associação Cultural Jose Marti de Minas Gerais