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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sai Maria Rita Kehl e entra Yoani Sánchez... a culpa é do Fidel!


Míriam Gontijo*
Vejam ENTREVISTA MARIA RITA KEHL EM Escuta aqui: à Revista Cult


No último 15 de fevereiro, o jornal Estado de S.Paulo, há 122 anos nas mãos da família Mesquita, publicou uma nota que me chamou a atenção:

“A jornalista cubana Yoani Sánchez, autora do blog Generación Y e forte questionadora dos rumos políticos de seu país, é a nova colunista do jornal O Estado de S. Paulo. A estréia aconteceu no último domingo (13) e terá periodicidade quinzenal. Formada em Filologia, Yoani tem 36 anos. Em 2008 recebeu o Prêmio Ortega y Gasset de Jornalismo, sendo também listada pela revista Time entre as cem pessoas mais influentes daquele ano.”

Ao que me conste, a bloguera Yoani nunca exerceu a função de jornalista profissional em seu país, que reconhece a profissão e mantém o diploma de periodista. Ela é filóloga, graças à Revolução Cubana, pois desde a tomada do poder em 1959, em anúncio solene na reunião da Assembléia Geral da ONU, Fidel Castro prometeu: vamos alfabetizar os 1,5 milhão de cubanos analfabetos em um ano. Prometeu e cumpriu: erradicou o analfabetismo no país no ano de 1961, talvez por isto tenha a fama de ditador sanguinário: “eliminou” os analfabetos do país... Haja paredão!!

Atualmente, conforme a constituição cubana, é dever do Estado cubano, erradicar o ANALFABETISMO CIENTÍFICO da ilha... Mais paredão. Os 11 milhões de cubanos têm o dever e o direito de saber o que é Biotecnologia, Nanotecnologia e se beneficiarem do desenvolvimento científico que o país alcançou...

Talvez por isto, a bloguera Yoani adquiriu condições de receber premiações fora do seu país e ser reconhecida no Brasil, país que ostenta a cifra de 18 milhões de analfabetos...

Mas o que me deixou mais admirada foi outro fato: recentemente, o Jornal Estado de S. Paulo esteve como “notícia” entre intelectuais brasileiros:

A colunista e psicanalista Maria Rita Kehl, que desde fevereiro de 2010 mantinha uma coluna quinzenal no Caderno 2 no então conhecido Estadão, publicou no dia dois de outubro do ano passado um artigo que virou polêmica nacional.
Intitulado "Dois Pesos...", fala sobre as inúmeras correntes de e-mails enviadas pela internet que desqualificavam os votos dos pobres das chamadas classes sociais D e E sob um argumento que já seria "familiar ao leitor" segundo Kehl: "os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos".

A psicanalista apontou para o preconceito no bojo do argumento de que os votos dos pobres das chamadas classes D e E "não são expressão consciente de vontade política" e "teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola".
O artigo gerou grande repercussão na internet e a colunista acabou demitida.

E mais do que os protestos pontuais na Internet, a demissão de Kehl tornou-se manifesto ratificado por mais de duas mil pessoas em cinco dias e suscitou discussões a respeito do posicionamento dos meios de comunicação diante da contrariedade às suas opiniões.

Antes da publicação do referido artigo, o Estadão, em 25 de setembro de 2010, declarou abertamente o seu apoio ao candidato do PSDB, José Serra, em oposição ao governo Lula e a candidata Dilma Roussef, na eleição brasileira de 2010, que pela primeira vez na história do país, elegeu uma mulher.

Além de refutar os argumentos de alguns e-mails que circularam bastante pela internet com ironias como "onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentadas por uma miséria?" e observações como "se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso", Maria Rita também fez comentário favorável ao Bolsa Família ao escrever: "Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema.

Nossa heroína terminou o artigo escrevendo que "quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos".

Para Maria Rita Kehl, o fato de ter sido demitida seria uma situação absurda: "Como que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?" Segundo a ex-colunista, o motivo de sua demissão foi o fato de o jornal ter considerado o texto um " delito de opinião “.

O diretor do Estadão, Ricardo Gandour, em uma entrevista sobre o ocorrido disse que "não houve demissão", que "colunistas se revezam, cumprem ciclos". Ele disse também que "não houve censura, a coluna saiu integralmente, sem mexer em uma vírgula".

Quando questiondo pelo entrevistador que, apesar de Ricardo Gandour negar o ato de censura, houve consequências para a colunista por expressar a sua opinião, como a sua saída do jornal, o diretor alegou que "o foco daquele espaço era outro", era a psicanálise, entretanto "esse não era o enfoque que ela vinha praticando", mas admitiu que considerou "a coluna de sábado uma coluna forte". Porém não foi esclarecido porque apenas após essa última "coluna forte" é que o jornal decidiu afastar a colunista e não anteriormente ou posteriormente, nem mesmo foi dito que ocorreu uma coincidência. Ele finalizou dizendo que lamenta "que esteja havendo uma leitura histérica disso".

Maria Rita Kehl em uma entrevista desmentiu categoricamente a versão de que ela foi contratada para escrever apenas sobre psicanálise. Disse que inicialmente foi chamada "para escrever sobre psicanálise". Porém, argumentou com a editora do Caderno 2 "que só [escrever] sobre psicanálise conflitava com o meu consultório. De vez em quando, disse-lhe, poderia escrever sobre o tema, mas eu gostaria mesmo era de escrever sobre tudo, inclusive política, assunto que me interessa muito.


Com a aceitação da sua proposta, e após a grande repercussão que a coluna teve, começou a circular o boato de que ela "estava proibida de escrever sobre política, só poderia escrever sobre psicanálise".

Então no dia 6 de outubro, depois de uma reunião que a editora teve com Gandour, veio a resposta. "Gandour disse que por conta da repercussão, a minha posição havia ficado insustentável, intolerável". Informou a psicanalista. Quando questionada se sofreu censura, ela respondeu: "A palavra censura não é boa. No meu conceito, censura seria: você não pode escrever sobre isso ou aquilo, corta uma linha aqui, outra ali… O que o meu caso demonstrou é que o jornal não permite uma visão diferente da do jornal nas suas páginas. É isso. Essa é a dita imprensa liberal".

O tão propalado liberalismo do jornal, parece que é do portão do grande edifício situado na Zona Norte da capital paulista para fora, e alcançando uma famosa ilha no Caribe...

A justificativa para a contratação da nova colunista, a cubana Yoani Sanchéz, foi a de que "Essa voz, que começou praticamente solitária em Cuba, conquistou seu espaço no mundo. Seu papel é de extrema relevância não só para os cubanos, mas para todos que lutam pela democracia. Por isso, estamos muito contentes em contar com Yoani Sánchez em nosso time de colaboradores", afirmou Ricardo Gandour


Para quem conhece a Yoani sabe que ela nunca foi uma voz solitária... teve sempre o apoio dos portadores do neoliberalismo, e até mesmo de um militante neonazista, uma vez que o registro do seu blog foi feito por um ex-nazista, conforme pode ser conferido no site Whois, um aplicativo que identifica os responsáveis pelos domínios de todos os sites que circulam pela internet e que estão registrados junto à Internic.


Para mim esta história não poderia ser mais apropriada para confirmar que o nível de democracia de um país não se mede apenas pelo sistema político que tem, nem mesmo pela sua imprensa dita livre. Democracia para mim só é possível com o respeito pelo voto de todos em condições de igualdade de acesso à educação, saúde, transporte, moradia, trabalho, enfim, tudo que nos qualifica como cidadãos...


Espero que o Brasil com Dilma erradique a miséria política e cultural do seu povo, que em pleno século XXI ainda ostenta a vergonhosa cifra de analfabetos, talvez a maior da América Latina.



*Míriam Gontijo é jornalista, diretora de Relações Institucionais do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG, cientista da informação e “presidenta” da Associação Cultural Jose Marti de Minas Gerais

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