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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Convenção Mineira de Solidariedade a Cuba 2012

    A Cultura como Estratégia para furar o bloqueio midiático
 e Motivador da Solidariedade          

 Um Balanço Necessário


O evento preparatório da Convenção Nacional da Solidariedade a Cuba realizado pela José Martí –MG  aconteceu uma semana antes da nacional e aproveitou a presença do Cônsul-geral Sr. Lázaro Mendez Cabrera em Belo Horizonte nos dias 18 e 19 de maio para construir uma agenda visando promover a Solidariedade a Cuba no estado de Minas Gerais.

Dessa agenda constou:

uma Festa Revolucionária Cubana no dia 17 de maio, anterior a chegada do cônsul, visando promover a convenção, com a participação do grupo Havana 4, organizada pelos diretores de eventos e Tesoureiro,  Magela Medeiros e Paulo César;
uma visita do Cônsul à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, par a articulação da “Frente Parlamentar Nossa América”. O consul de Cuba foi recebido pelos deputados Luzia Ferreira e Rogério Correa, além de chefes de gabinete e assessores, organizado pelo assessor do Deputado estadual Celinho do Sitrocemg,  Sávio Bones;
a Convenção Estadual no dia 18, sexta, com a participação do trovador Pedro Munhoz apresentando o tema arte e bloqueio moderado pela diretora de Comunicação Míriam Gontijo, Maria José e Sérgio Miranda, com o tema Solidariedade como valor e análise de conjuntura com José Vieira e o Cônsul;
uma visita ao prefeito de Ouro Preto, importante liderança do PMDB para ajudar a construir a Frente Parlamentar, promover intercâmbio turístico com o maior pólo turístico do estado e apoio aos 175 anos da primeira ferrovia latino-americana que foi a Havana – Bejucal – Guinness.

Nos eventos do dia 17/05 e estiveram presentes, entre pagantes, músicos e convidades, cerca de 120 pessoas e no dia 18/05 cerca de 30 pessoas. A festa teve 70% do público do ano passado e a convenção cerca de 40%.

A “Noite Cubana” com o grupo Havana Cuatro, liderado pelo Maestro Pepe, foi um sucesso com ótima música, drinks com o legítimo Ron Havana Club e uma boa maneira de divulgar a convenção. Vamos tentar repetir a festa, agora para cobrir as dívidas.

A abertura do evento do dia 18 foi feita pelo trovador Pedro Munhoz, da cidade de Barra do Ribeiro – RS, artista engajado na luta dos movimentos sociais e que, inclusive, tem um de seus poemas inserido no processo judicial envolvendo trabalhadores ambientalistas na luta contra a degradação ambiental decorrente de atividades da Aracruz Celulose, em sua região. A proposta foi partir de uma concessão artística para escolha de temas onde a solidariedade cubana pudesse ser percebida. E nesse ponto, a escolha do Pedro Munhoz se mostrou muito feliz.


PRIMEIRA MESA
Tema: A Solidariedade como valor – um olhar a partir de Minas Gerais
Palestrantes:
MARIA JOSÉ DA SILVA, ex-diretora da ACJM e atualmente ativista e líder do projeto Nossa América, que leva e difunde a cultura latina americana na região do Barreiro/BH.
SÉRGIO MIRANDA, deputado por quatro vezes e atual presidente do PDT Municipal de Belo Horizonte.
Maria José fez uma apresentação apaixonante que contagiou a todos com o seu conhecimento da obra do José Martí, uma defesa inconteste de Cuba .

Na palestra do Sérgio Miranda, em síntese, ele mencionou a crise atual do capitalismo, primeiramente em 2008, nos EUA, e recentemente na Europa, ambas crises decorrentes, principalmente, do seu modelo capitalista neoliberal.
Destacou que a bandeira de solidariedade nos remete ao processo revolucionário cubano, que é o elo, a argamassa da unidade latina americana, tanto assim que na última reunião da Cúpula das Américas restou decidido que sem a presença de Cuba não se fará mais referida reunião, pois essencial que é à união latina.  Citou também ser primordial a essa união o fortalecimento da Alba e Telesur, dentre outras entidades.




á esquerda, o Cônsul Geral de Cuba no Brasil.

SEGUNDA MESA
Tema: A Solidariedade como valor – uma visão internacionalista
Palestrantes:
LÁZARO MENDEZ, Cônsul Geral de Cuba no Brasil.
JOSÉ VIEIRA, sindicalista e ex-diretor da ACJM
Inicialmente, o cônsul disse ter ficado orgulhoso com a idéia de lançamento, nesta data, na ALMG, da Frente Parlamentar Nossa América, nos moldes da que já existe no Rio Grande do Sul, na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Destacou que a principal atividade industrial de Cuba é a extração do minério de níquel (produção de fármacos é a segunda) e que, por isso, gostaria que o tema de danos ambientais fosse debatido nos fóruns de solidariedade, pois se trata de um tema universal e de interesse de todos os países.

Fazendo um paralelo entre natureza/homem e o socialismo, justificou que este, como o homem, passa por constante evolução para seu aperfeiçoamento, como a que ocorre atualmente em Cuba.

Entretanto, enfatizou que não há outra opção para Cuba que não seja o constante aperfeiçoamento do socialismo, como o que ocorre agora, mediante reformas econômicas.
José Vieira destacou que Cuba é exemplo de solidariedade, conforme recentemente demonstrado na sua ajuda na recuperação do Haiti, e que ela, Cuba, exporta médicos e professores, em vez de guerra.
Frisou que Cuba é, na realidade, o único país soberano do mundo.


TERCEIRA MESA
Tema: A Cultura como Estratégia para furar o bloqueio midiático e Motivador da Solidariedade
Palestrantes:
PEDRO MUNHOZ, músico e ativista de movimentos sociais.
MIRIAM GONTIJO, jornalista e diretora da ACJM - MG
Ao iniciar sua palestra, o Pedro Munhoz citou o músico cubano Sílvio Rodriguez, que disse que não cantava música de protesto, mas sim de uma revolução que triunfou.
Como exemplo do tema proposto, citou que participa, junto com outros músicos, Canto de Todos, cujo objetivo é, através da música, promover o debate político a respeito da América Latina, Cuba e Caribe.
Lamentou o fato de não existir, no Brasil, uma formação de artista voltado à conscientização política e de uma cultura de resistência, de uma arte comprometida e politicamente engajada com os movimentos sociais e populares.
Ressaltou que o império que impõe um bloqueio econômico desumano contra Cuba é o mesmo império que bloqueia a arte no Brasil.
Como exemplo de integração entre cultura e solidariedade, citou o fato de 15 poemas de Toni Guerrero, um dos cinco heróis, haver sido musicado pelo grupo que compõe o projeto Canto de Todos.

Para instigar o debate, Miriam iniciou frisando ser a cultura uma expressão de valores e de identidade de um povo e que a indústria da cultura nada mais é do que a arte como valor monetário.
Dentro desse conceito questionou: qual seria o limite para a venda da arte?
Destacou a importância de termos consciência de que não somos América do Sul e sim América Latina.
Oportunamente, Pedro Munhoz salientou que memória é mais importante do que tradição, pois esta, muitas vezes, expressa valores cultivados por aqueles que são contrários aos movimentos sociais, enquanto a memória é um processo dialético contínuo, portanto evolutivo.
Pessoalmente, disse que se for pago ele canta, mas que se não for pago canta mais: oferece seu coração.
Concluindo, ressaltou ser a cultura uma importante ferramenta para abrir novos caminhos de solidariedade entre os povos, citando que Sílvio Rodriguez disse algo mais ou menos assim: meu amor é onde a primavera não escolhe jardim.

Texto : Paulo César Rodrigues (Diretor Financeiro) e  Nelson Dantas (Diretor Geral)

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