
É compromisso de toda entidade de solidariedade se estruturar de maneira
independente e plural, buscando o autofinanciamento; alcançando o interior dos
estados, a periferia das capitais e das grandes cidades; reforçar a campanha
dos cinco heróis cubanos, promovendo uma inversão
de pauta orquestrada e orientada pelos povos e trabalhadores da América
Latina a exemplo de Cuba, que vem sendo seguido pela Venezuela.
( Na mesa de abertura da VII Convenção Mineira de Solidariedade a Cuba : Jornalista Beto Almeida da Telesur; Anita Prestes escritora e intelectual; Nelson Dantas, presidente da ACJM-MG e Fábio Simeón do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos)
Vamos pautar a solidariedade pela fala do Fidel Castro e que emoldura o
belo trabalho apresentado pela Maria José (Projeto Nossa América e ACJM – MG) sobre
a história das convenções: “Ser solidário não é oferecer o que nos sobra, mas
compartilhar o que temos, mesmo que seja pouco”. E também pelo que costumava
falar o saudoso companheiro Paulo Petry do movimento gaúcho de solidariedade a
Cuba “façamos a solidariedade que Cuba necessita e não a que queremos”.
DIAGNÓSTICO
A decantada “Liberdade
de Imprensa” nos países capitalistas foi sumariamente capturada pelos agentes
econômicos, se transformando em “Liberdade de Empresa”, tornando atividades
estratégicas para o desenvolvimento social, como imprensa e política, reféns do
poder econômico. Especificamente no nosso campo da solidariedade, as lutas contra
o Bloqueio Midiático, na verdade, são lutas também contra o Poder Econômico.
Nos noticiários dessa imprensa vamos encontrar a defesa de forças
imperialistas nas Guerras de Rapina. Vamos encontrar ênfase na certeza da crise
econômica levando medo aos trabalhadores e ajudando a seqüestrar direitos em
todo o Globo. A falta de um contraponto cultural na mídia reforça a nossa
prisão do paradigma do consumo.
Enquanto isso, a Venezuela conseguiu construir uma agenda humanitária com
Cuba e vem realizando uma verdadeira Operação
Milagro nos mais diversos segmentos humanitários — a troca de serviços
médicos e de professores por petróleo é um sucesso e transformou a crise em
oportunidade com uma saída socialista, humanitária e libertadora. Também
resgatou seus heróis nacionais e continentais como os brasileiros Abreu e Lima,
Luiz Carlos Prestes, entre outros.
Por isso, quando propomos uma inversão de pauta, lutamos para:
·
substituir essa obscurantista imprensa
capitalista, que só ouve e reproduz o que serve ao capital, e tenhamos uma mídia
democrática com uma TV Pública de qualidade e plural fazendo o salutar contraponto;
·
sair das
garras da ALCA e construir uma união entre iguais e com respeito a diversidade
na ALBA;
·
substituir a globalização a serviço do imperialismo
por uma união dos povos, pautada nos interesses sociais e do bem-estar público
mediado por organismos internacionais verdadeiramente independentes e
·
que a América Latina cada dia mais substitua a Doutrina Monroe pelo conceito martiano Nossa América de integração dos povos
latino-americanos e caribenhos.
Assim, especificamente
o que propomos é:
- uma TV Brasil que honre os acordos já assinados com
a TeleSur e inicie uma nova etapa na grade de programação reproduzindo
matérias sobre a América Latina;
- seja reforçada a luta do Fórum Nacional de
Democratização das Comunicações – FNDC;
- toda entidade de solidariedade deverá fazer um
esforço para assinar o Granma e difundir matérias do jornal bem como da
Prensa Latina;
- todo apoio à vinda dos médicos cubanos e a
construção do Porto de Mariel, e que essa possa ser uma forma justa e
humana de intercâmbio;
- lutar para o aumento do comércio com Cuba e
Venezuela, mas principalmente garantir espaço para importação de produtos
desses países, evitando o brutal déficit que tem sido gerado nos últimos
anos;
- construção de um projeto de Casa Brasil em Cuba que estimule a solidariedade entre as
nações irmãs, fortalecendo essa solidariedade independente de governo;
- que o Brasil construa em Havana o belo projeto do
Oscar Niemeyer para a Embaixada Brasileira e dê um salto na solidariedade;
- fortalecer a ação 5 pelos 5, elaborando cartazes, mensagem, projeção, ações
contra o bloqueio;
- defesa de que estudantes brasileiros possam estudar
medicina em Cuba dentro do programa Ciência
sem Fronteira;
- criar o Dia
Nacional de Cuba com festival gastronômico, de música, arte, cinema, a
fim de resgatar a proposta do V Encontro Continental de Solidariedade,
realizado em Quito, em 2008, e que propôs o dia 10 de outubro;
- estimular ao máximo os voos da Cubana de Aviacion no continente sul-americano, agora com
partidas semanais de São Paulo, tendo em vista que ela é um importante
vetor anti-imperialista dessa área estratégica que é a aviação e toda sua
cadeia produtiva — na medida do possível, o ICAP deverá organizar os
eventos que possibilitem utilizar os voos da Cubana (no que pese as
críticas a qualidade do serviço);
- aproveitar a série de eventos globais no Rio de
Janeiro, final da Copa do Mundo e Olimpíadas, para fortalecer a presença
da diplomacia cubana e da solidariedade na cidade — a ACJM-MG foi parceira
na realização de manifestação nos jogos Pan-americanos e na Rio + 20; e
- resgate das Bolsas de Medicina dedicadas à solidariedade, mesmo que em novo formato e com convênio que ajude a subsidiar os custos.
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